
Sempre esquecida, deixada de lado, foi assim que foi se apegando ao dom da ironia. Tudo foi ficando meio nublado pra ela, as pessoas, os sorrisos, as alegiras, as palavras, os sentimentos, tudo tão vago […] E com isso ela foi ficando ressabiada da vida, tinha um dom inegualável de afastar as pessoas de boa alma que tentavam ajudá-la, ah… Ela e o seu ironismo, sempre junto. Foi ficando com um pouco de amargor no coração, um amargor do qual nenhum açúcar ou mel de alguma palavra doce dita ao vento poderia adoçar. Tentava voltar ao normal, tentava sorrir, nada. Tentava ela ser a mesma garota de antes, tentava deixar aquele ironismo e hipocrisia de lado, nada. Tentou até amar de novo mesmo sem ser amada, nada. Desaprendeu a sentir, desaprendeu a viver com alguém mais além de si mesma. E aquela menina irônica, nunca mais foi a mesma. Quem dera que tivesse desistido no meio do caminho. Quem dera que algo a tivesse impedido. Mas não. Ela foi sempre movida por essa raiva de ter sido deixada. Agora é tarde para a pobre garota. Agora é tarde demais para voltar a amar, para deixar essa ironia de lado. No fundo sinto pena dela. Ela era jovem demais quando tomou aquela decisão. A sua imaturidade fizeram-a escolhe. Foi um caminho não tão bom. Pobre garota! Seu coração se martelava por dentro, enseava por socorro. Por tantas e tantas vezes fora, esmagado e exposto as réstias de uma solidão tão evidente. Ela perdeu sua inocência, ao ver seu mundo desmoronar. Ela perdeu o que a fazia feliz, e optou pela opção mais favorável. E a machucou. Sim, tenho certeza. Nunca foi garota de reclamar por pouca coisa não; era o xodó da família e a perfeitinha da mamãe. Mas parece que as piores coisas tem que acontecer com as melhores pessoas mesmo. Se suicidou por dentro. Por todas as mágoas que sofreu, e pelo carinha que a prometeu amor; aquele que nunca existiu. Ela sentiu necessidade de matar tudo aquilo. Tomou a precipitada decisão cedo demais, precipitada demais. Tudo sempre foi demais. Garota de extremos, mulher de fases. Nada nunca foi bom o bastante. Porque era assim. Insuficiente. Sofria, por não cumprir o papel de modelo perfeita, onde tudo aconteceia, e sofria calada. E foi por raiva, foi por revolta que ela se matou. Forte, não? Se matou, mas continua a vagar por aí, sem rumo, nem sinal de voltar a ser a sombra do que chegou a ser um dia. Está viva sim, de carne e osso. Mas só. O espírito já se foi há tempos. Tá aí. Mais uma vítima. Uma, das várias que já sofreram, sofrem e virão a sofrer.


Eu cansei. Cansei de ficar todo esse tempo me fazendo de idiota esperado, esperando por uma atitude que com certeza ele não ia ter. Vou seguir minha vida, chega de tantos dramas, lamentações. Ele se foi, ótimo, abriu vaga pra outro amor. Chega de se importar quem quem não me deu valor, que não se importou com meus sentimentos. Chegou a hora de se valorizar, chegou a hora de encontrar a felicidade.